Capital de Risco, o que é?

1. O que é o Capital de Risco?
2. O que são as sociedades de capital de Risco?
3. O conceito faz sentido no âmbito do Franchising?
4. O capital de risco só se aplica a empresas de novas tecnologias?
5. O que são sociedades de capitais de risco (SCR’s)? O que são “business angels”?
6. Que vantagens têm os capitais de risco para o empreendedor, quando comparados com outras formas de financiamento?
7. E quais os riscos? Que condições se colocam ao empreendedor?
8. A quem aconselharia a captação de capitais de risco? Há ramos de negócio onde a captação de capitais é à partida mais fácil?
9. Quais as fases de um processo de captação de capitais? Que montantes podem estar envolvidos? O empreendedor pode ter que entrar com parte da verba necessária para um projecto ou a totalidade do investimento é da responsabilidade das SCR’s?
10. Qual o grau de autonomia dos empreendedores, uma vez captado o capital?
11. Há dados sobre o nº de projectos de capital de risco concretizados nos últimos anos? Há alguns casos de sucesso que me possa indicar? Qual o panorama dos capitais de risco em Portugal; que “fase do negócio” se vive actualmente?
12. Como consiste o processo de triagem de empresas que recorrem ao Capital de Risco? (critérios, qual é a análise, dados que pretendem obter...)


1. O que é o Capital de Risco?

A noção de capital de risco é uma noção multifacetada pelo que qualquer definição que seja apresentada necessita de ser ajustada ao âmbito do tema que se pretende estudar.

Ainda assim, é comum afirmar-se que se trata de uma modalidade de financiamento em que se produzem duas sequências interrelacionadas: um Investidor (Sociedade de Capital de Risco ou Business Angel) adquire uma participação societária, normalmente minoritária,numa PME, possuidora de um forte potencial de crescimento e rentabilidade que lhe permita obter uma mais-valia significativa no final da duração (frequentemente 3, 5 ou 7 anos) prevista para o êxito do projecto. Por outro lado o Empreendedor obtém não só Capitais Próprios mas fundamentalmente o Capital Conhecimento – resultante do «saber fazer», das redes de contactos nacionais e internacionais e principalmente da credibilidade que proporciona às «Ideias» - de que o Investidor é possuidor.
Convém igualmente referir que, atendendo a critérios temporais e de carácter qualitativo, é possível distinguir quatro modalidades de financiamento por Capital de Risco a saber:

  • Capital Semente – fundos dedicados a projectos empresariais definidos somente num Plano de Negócios.
  • Financiamento do Capital Inicial – fundos para pôr em andamento uma empresa que possui um protótipo de um produto pronto a comercializar.
  • Financiamento do Crescimento – fundos que permitem superar a carência de recursos próprios para financiar o crescimento estável da empresa, já em funcionamento.
  • Outras Operações – Incluem-se nesta modalidade, entre outras, as operações de compra de capital da empresa por parte da equipa de gestão, quer interna quer externa, ou a aquisição e restruturação de empresas em dificuldade.
Face ao exposto podemos dizer que ao financiar a sua criação, o seu crescimento ou a sua transmissão, o Capital de Risco selecciona os futuros campeões sobre os quais assenta uma boa parte do crescimento, da competitividade e da criação de postos de trabalho na nossa sociedade.


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2. O que são as sociedades de capital de Risco?

As SCR são empresas cuja estratégia reside na realização de investimentos de longo prazo, em acções/quotas de empresas não cotadas, e cujo rendimento advém principalmente dos resultados obtidos com a alienação desses investimentos, quer através da revenda de acções/quotas aos empreendedores ou a outros sócios quer ainda através de uma Oferta Pública de Venda nos mercados bolsistas.

Podem investir fundos (que obtém normalmente junto de instituições bancárias ou de organismos públicos dedicados ao desenvolvimento empresarial) da própria SCR ou gerir fundos em nome de outras instituições.

O facto de as SCR serem membros e cumprirem os critérios definidos pelas Associações de Capital de Risco nacionais e da EVCA (European Private Equity and Venture Capital Association) permite afirmar que estas SCR representam o Capital de Risco institucional.

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3. O conceito faz sentido no âmbito do Franchising?

Os investidores de capital de risco procuram negócios onde exista uma boa relação rentabilidade/risco, seja em que sector for. Os fundos de capital de risco normalmente especializam-se numa determinada área e existem fundos especializados no comércio que podem ser investidos em negócios de franchising, como é o caso do FRIE Comércio BNU Capital, o qual, pelo que sabemos, ainda tem muito dinheiro disponível uma vez que poucos empreendedores a ele têm recorrido. Pela sua importância para os leitores da Negócios & Franchising, informo que o património do Fundo FRIE Comércio – BNU Capital, no valor de 1,1 milhões de contos, destina-se a ser investido na aquisição de participações de empresas que cumpram os seguintes requisitos:

  • PME não cotadas pertencentes ao sector do comércio.
     
  • Empresas nascentes ou que pretendam implementar projectos de expansão e modernização.
     
  • Empresas envolvidas em projectos de internacionalização.
     
  • Empresas que apresentem um plano estratégico global do qual resulte o reforço dos seus factores de competitividade.

De referir que os projectos, no âmbito do franchising, devem apresentar um forte potencial para gerarem riqueza, sendo a duração média das participações de 6 a 10 anos e o tipo de participação minoritário e não superior a 25% do Capital Social. No entanto os empreendedores não devem nunca esquecer-se que compete à SCR decidir se o negócio é atractivo e se nele vale a pena investir.


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4. O capital de risco só se aplica a empresas de novas tecnologias?

Não. Todas as boas oportunidades de negócio podem ser financiadas por capital de risco. O que se passa é que os investidores procuram normalmente taxas de retorno superiores a 30% ao ano e as empresas de novas tecnologias têm mais hipóteses de alcançar essas taxas. Mas podemos encontrar taxas de retorno assim também em sectores como o turismo ou o comércio, o que os torna também sectores atractivos para os investidores de capital de risco.

A confirmar esta observação veja-se o caso da Agricultura, que não sendo um sector atractivo para investimentos de Capital de Risco é, hoje em dia, e devido à Internet, objecto de sucesso, existindo no Mundo milhares de portais agrícolas e agronómicos alguns deles financiados por capital de risco, que inclusivamente foram, recentemente, alvo de oferta Pública de Venda no mercado Americano.

No entanto há que assinalar que actualmente os sites da Internet portugueses exercem um verdadeiro fascínio sobre os investidores portugueses e europeus, a que não será de estranhar o facto de Portugal se encontrar num período de recuperação em relação a alguns dos seus vizinhos, pelo que o volume de Capital de Risco angariado para aplicação em projectos Business-to-Business ou Business-to-Consumer é desde há alguns meses bastante significativo.


Um jovem empreendedor tem todo o interesse em se apoiar em profissionais deste tipo, antes de partir à conquista dos investidores. Estes profissionais terão a sua remuneração paga pelo “success fee” da operação mas permitirão evitar obstáculos quer na elaboração do business plan quer na preparação do encontro quer na selecção dos investidores.

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5. O que são sociedades de capitais de risco (SCR’s)? O que são “business angels”?

As SCR’s são sociedades anónimas, constituídas segundo legislação própria ( vide DL nº 319/2002 de 28.12), cujo objectivo é realizar participações em empresas com forte potencial de crescimento e desenvolvimento. Investem por períodos de tempo limitados mas sempre numa perspectiva de médio/ longo prazo (5-7 anos em média) e de forma minoritária, geralmente não ultrapassando os 49% do capital. Nos mercados anglosaxonicos verifica-se o cumprimento dos verdadeiros fundamentos desta actividade pelo que é normal os investimentos serem realizados nas fases de capital semente e de start-up ( vide, por exemplo, os conhecidos casos da AMAZON.COM e mais recentemente do GOOGLE). No entanto em Portugal e na maior parte dos países europeus, com excepção naturalmente do Reino Unido, as SCR investem naturalmente nas empresas que se encontram num estágio de maturidade interessante da sua actividade pelo que as operações habituais são realizadas ao nível dos projectos de expansão e internacionalização. Este tipo de sociedades investem normalmente na chamada fase de expansão, o que faz com que os montantes médios de participação se situem na ordem dos 1,4 milhões de Euros.

Um Business Angel é um investidor privado que, por deter capital para investimento e experiência ou conhecimentos de um determinado sector ou área de negócio se envolve em projectos, contribuindo para o seu crescimento. Geralmente participa em projectos com investimentos inferiores, normalmente entre 20 mil e 50.000 Euros, aos do capital de risco institucional ,acabando por se envolver mais na própria gestão do negócio , onde investe, do que as SCR’s, uma vez que coloca frequentemente a sua experiência e os seus contactos em acção (atitude hands on).


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6. Que vantagens têm os capitais de risco para o empreendedor, quando comparados com outras formas de financiamento?

Permite que o empreendedor obtenha sem qualquer custo (a participação em capitais próprios como sócios, logo sem direito a juros nem garantias de recompra) capital, conhecimentos e conselhos de alto valor acrescentado numa fase de alto risco para o seu negócio.
O empreendedor obtém assim acompanhamento de profissionais competentes que o ajudarão a ultrapassar com êxito uma fase de grande complexidade que, uma vez alcançada, permitirá ao empreendedor comercializar no mercado o seu produto ou serviço.
Convém então recordar que os capitalistas de risco (ou investidores em capitais próprios), não se tratam de banqueiros. Enquanto estes últimos concedem com garantia prévia empréstimos, a partir dos quais esperam um reembolso adicional dos interesses financeiros, os primeiros contribuem com o seu capital em troca de uma participação no capital da sociedade. Não existe nenhum tipo de garantia, o investidor assume por completo o risco do negócio.
Em resumo o Capital de Risco (Venture Capital), ao adicionar aos projectos não só o capital financeiro, mas fundamentalmente o Capital Conhecimento – resultante do know-how do negócio, redes de contactos nacionais e internacionais, capacidade de conseguir aprender a obter vantagem económica da quantidade crescente de informações disponíveis – se apresenta como um instrumento de desenvolvimento fundamental de todas as start-ups de base tecnológica e consequentemente das Tecnologias de Informação e Comunicação. E se o conhecimento é a maior fonte de riqueza, os jovens empreendedores portugueses não devem deixar de aproveitar as vantagens que o Capital de Risco proporciona pois permitir-lhes-á obter junto destas entidades activos que os ajudam a produzir e processar esse conhecimento.


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7. E quais os riscos? Que condições se colocam ao empreendedor?

Face ao exposto, na questão anterior, somos da opinião que o problema do risco não se coloca tanto numa óptica de saber o que o empreendedor perde mas antes pelo contrário o que é que o empreendedor deixa de ganhar se a Sociedade de Capital de Risco (SCR) identificar os aspectos da iniciativa que apresentam maior vulnerabilidade e avaliar se esses riscos não são de natureza controlável fazendo com que a operação não seja realizada. Embora todas as SCR tenham as suas próprias rotinas de avaliação, refinadas e melhoradas a partir da experiência, todas elas tentarão, no entanto, detectar o mais cedo possível se o empreendedor tem capacidades altamente desenvolvidas para fazer face ao:

• Esforço capacidade de levar em frente os seus planos contra todas as ameaças e desilusões que aparecem no decurso do projecto.
• Risco capacidade de avaliar permanentemente o risco quando formula os seus planos.
• Liderança caso não possua as duas capacidades anteriores o empresário deverá ser capaz de recrutar uma equipa que as possua e provar que é capaz de a liderar com sucesso.


Por último importa referir que embora o empreendedor possa ficar com “uma fatia do bolo” mais pequena, a curto prazo, no espaço de poucos anos a sua “fatia do bolo” deverá valer consideravelmente mais do que o “ bolo todo” que tinha antes da participação, conforme aconteceu recentemente com uma empresa de serviços de TIC que apenas um ano e meio após a entrada no capital por parte de uma SCR foi transaccionada por 24 vezes o valor inicial dos seus fundos próprios.


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8. A quem aconselharia a captação de capitais de risco? Há ramos de negócio onde a captação de capitais é à partida mais fácil?

A captação de capitais de risco adapta-se a qualquer negócio, embora sejam preferidos empreendimentos com elevado potencial de valorização. Por este motivo as grandes apostas vão mais frequentemente para áreas relacionadas com tecnologia / biotecnologia onde o investimento pode gerar maiores taxas de rentabilidade ( vide por exemplo as perspectivas que se estão a equacionar quanto à valorização de mais de 1500 vezes o capital investido por um Business Angel americano caso o GOOGLE saia no mercado bolsista do NASDAQ no próximo mês de Junho). Nesse sentido lembre-se que as SCR só estão interessadas em empresas com elevadas possibilidades de crescimento, tal como o demonstram as últimas quatro revoluções “industriais” – micro-eletrónica, micro-informática, biotecnologias, tecnologias de informação – que tiveram a sua origem no ambiente de Silicon Valley, o qual como todos nós sabemos é o local, por excelência, do capital de risco.

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9. Quais as fases de um processo de captação de capitais? Que montantes podem estra envolvidos? O empreendedor pode ter que entrar com parte da verba necessária para um projecto ou a totalidade do investimento é da responsabilidade das SCR’s?

Em toda a industria de Capital de Risco o Plano de Negócios assume um papel fundamental, pois é um documento que permite, por um lado ao empreendedor, atingir o seu grande objectivo – angariar o capital necessário ao seu negócio - por outro lado, aos investidores possuírem uma ferramenta útil na análise de oportunidades de investimento.
O grau de profissionalismo usado na elaboração do plano de negócios fornece logo uma primeira visão da qualidade de gestão, por essa razão deve ser dada uma especial atenção ao grau de objectividade com que é definida a missão da empresa; ao pormenor com que é descrito o produto/serviço idealizado; à relevância e valor das informações de mercado apresentadas; ao domínio da tecnologia envolvida; ao grau de conhecimento dos clientes, fornecedores e concorrentes; à identificação dos vários responsáveis e das suas competências específicas; à coerência das projecções elaboradas e do plano de médio-longo prazo; e à lógica inerente ao dossier elaborado.

Assim, a consistência e o rigor do plano de desenvolvimento do negócio apresentado, bem como a clareza com que são apresentados os objectivos do projecto são importantes fontes de informação sobre as competências dos promotores, bem como sobre a viabilidade da ideia.

O capitalista de risco, por certo que, na posse de um Plano de Negócios, com as citadas características inicia desde logo o processo de “due diligence”, que consiste em recolher mais informação sobre a equipa de gestão, o mercado, o produto ou serviço pelo que não valerá a pena elaborar um Plano de Negócios que não corresponda à realidade.

Se todas estas etapas da elaboração do Plano forem tidas em linha de consideração, e se o negócio satisfizer todas as condições atrás descritas, por certo que o empreendedor vai conseguir angariar o capital necessário ao seu negócio, uma vez que conseguiu demonstrar e provar que o projecto cria valor para o capitalista de risco!

No que diz respeito aos montantes envolvidos nas Operações de Capital de Risco, convém relembrar que as empresas de Capital de Risco classificam cada investimento de acordo com o estádio de desenvolvimento do negócio em que as empresas se encontram, sendo habitual, nas de alta tecnologia, os seguintes:

• “Seed Capital” - Capital Semente – recursos necessários para comprovar a viabilidade do conceito de negócio na sua fase de concepção, i. e., comprovar a viabilidade através do desenvolvimento de um protótipo, da validação de uma teoria ou da pesquisa de mercado, para testar a aceitação de um produto ou serviço. Nestes casos podemos estar a falar de 25000 a 200.000 euros.

• “Startup” - Capital Inicial – comprovada a viabilidade do conceito de negócio através de um protótipo, estudos económicos e de mercado, tornam-se necessários recursos para iniciar o negócio, propriamente dito. Os valores médios de investimento podem ir de 200.000 a cerca de 750.000 euros.

• “Expansion” - Capital de Desenvolvimento – implementado um produto ou serviço e a sua comercialização com êxito, torna-se necessário obter recursos adicionais para desenvolver e realizar todo o seu potencial de crescimento e lucro. Torna-se difícil mensurar os valores envolvidos nestas transacções mas sempre arriscamos mencionar valores na ordem dos 1 milhão a 3 milhões de euros.

No que diz respeito ao envolvimento financeiro do empreendedor podemos referir que este deve estar preparado para investir algum do seu próprio capital na sua empresa para demonstrar um compromisso financeiro pessoal no empreendimento. Afinal, porque deverá uma empresa de CR arriscar o seu dinheiro, e o dos seus investidores, se o empreendedor não está preparado para arriscar o seu próprio? O montante que deverá, mais a sua equipa de gestão, investir depende do que é tido como “material” para ele, o que é bastante subjectivo.



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10. Qual o grau de autonomia dos empreendedores, uma vez captado o capital?

Convém referir desde logo que os capitalistas de risco investem numa equipa de gestão com potencial para fazer crescer a empresa. Se não acreditarem nesse potencial, não investem. A não ser que a equipa se desmembre ou demonstre incapacidade para gerir a empresa, os CR preferem deixar os empresários gerir a empresa; “têm outros peixes para fritar” é um termo normalmente utilizado pelos CR para exprimir esse sentimento. A indústria de capital de risco baseia-se na confiança mútua; um investidor que viole a confiança de um empresário não sobreviverá muito tempo. Apesar de normalmente os empreendedores/ promotores ficarem com autonomia de gestão no entanto, a SCR tem normalmente assento no conselho de administração da sociedade.



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11. Há dados sobre o nº de projectos de capital de risco concretizados nos últimos anos? Há alguns casos de sucesso que me possa indicar? Qual o panorama dos capitais de risco em Portugal; que “fase do negócio” se vive actualmente?

Refiro um caso de sucesso muito recente e que pode ser considerada uma das melhores operações realizadas até hoje em Portugal: o projecto Pay Shop que teve envolvido as SCR do Banco Efisa e da PME CAPITAL as quais recentemente alienaram a sua participação aos CTT.
Os números demonstram que em Portugal , tal como em Espanha, França e na generalidade dos países europeus o conceito de capital-risco não corresponde exactamente à ideia norte-americana de apostar numa ideia de negocio em fase de protótipo( vulgarmente designado por capital semente) ou no apoio ao nascimento de uma empresa (fase arranque). O Capital de Risco em Portugal não tem tido o seu foco no apoio financeiro aos empreendedores que pretendam lançar as suas iniciativas empresariais, conforme o demonstra o facto de quer no 1º quer no 2º semestre de 2003 não ter existido uma única operação de capital de risco na fase do habitualmente designado “seed capital”, nem o seu objectivo-em Portugal tem sido ao contrário do que se possa pensar- é fomentar a criação de emprego. Ainda que o capital de risco, praticado em Portugal, apoie em algumas ocasiões as fases iniciais de um projecto empresarial a sua missão não é essa mas sim contribuir para o desenvolvimento do tecido empresarial do nosso país o que não é exactamente a mesma coisa.
Por isso defendo que se o estado do capital de risco continuar como está que a designação desta actividade passe para Capital de Investimento ou Desenvolvimento, termos aliás que muitos profissionais do sector já defenderam como mais adequado para o mercado português, permitindo que não se continue a colocar no mesmo saco diferentes formas de financiamento.
Mas por favor , numa altura em que a economia mundial se encontra no inicio da inversão positiva dos mercados financeiros e com perspectivas de optimismo nos Investimentos, não impeçam que em Portugal os fundamentos e a actividade fundamental do capital de risco- isto é o financiamento seed capital e startup – não seja dinamizada para bem de todos nós e dos empreendedores em particular.
Porque apesar do dinheiro não comprar a felicidade de certeza que ajuda muito! Especialmente quando se tem boas ideias , uma estratégia realista e agressiva e uma tecnologia ou serviço diferenciados.

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12. Como consiste o processo de triagem de empresas que recorrem ao Capital de Risco? (critérios, qual é a análise, dados que pretendem obter...)

Para se obter financiamento por Capital de Risco, é necessário que o projecto reúna algumas condições, das quais destaco as mais importantes: - Conceito inovador, que possibilite um elevado crescimento a médio prazo ; - Estratégia bem definida ; - Forte equipa de gestão ; - Retorno rápido do investimento.

Estes são os principais critérios, dependendo contudo muito do negócio que estejamos a analisar e do seu grau de maturidade.

Relativamente aos dados necessários, é bastante importante que exista um Plano de Negócios, bem como, em caso de empresas já existentes, relatórios de actividade e Contas em dia.


- Como é o processo de negociação?

O processo de negociação, desde a apresentação do Plano de Negócios e da 1ª reunião com o investidor, até à assinatura dos acordos parasociais pode demorar cerca de 2 meses, tempo necessário para o investidor conhecer o empreendedor e o projecto, fazendo todas as diligências necessárias. Normalmente a negociação esta associada à valorização do negócio, as % de capital para o investidor, as condições de entrada e de saída.


- Que tipo de sectores privilegiam?

Não existem sectores preferenciais, tem é de ser um projecto de elevado potencial de crescimento.


- Como fazem o acompanhamento da participante?

Caso se trata de uma Socied. Capital de Risco (SCR), o acompanhamento da participada é feito normalmente pelas reuniões mensais de administração, pois o investidor ao entrar no projecto elege desde logo um quadro seu para fazer o acompanhamento do projecto, dando apoio no que for necessário.

- De que forma se processa a saída da participante?

A saída da participante pode fazer-se por 3 grandes vias:
- Saída em Bolsa, vulgo IPO. É a saída melhor, pois é mais valorizada, mas como todos nós sabemos a que é menos utilizada em Portugal, pelo fraco mercado de capitais que possuímos.
- Venda a Terceiros, ou seja, venda a outra SCR que decida investir para outro estágio de desenvolvimento, ou venda a uma empresa do sector que queira adquirir posição.
- Recompra pelos promotores, é a saída mais usual em Portugal e aquela que menos valor normalmente traz ao investidor.


- Em média quando é que se dá a saída da participante?
Num espaço de tempo nunca inferior a 3 anos.
 

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