FAQ’s sobre Empreendedorismo em Portugal
- Os portugueses têm potencial empreendedor?
De acordo com um estudo da AGEP – Agência para o Empreendedorismo denominado “Eurobarómetro sobre Empreendedorismo”, constata-se que Portugal, quando comparado com os restantes países da União Europeia, é o país em que os inquiridos mais vontade têm de ser trabalhadores por conta própria. Assim, em 2001, 62% dos inquiridos demonstraram ter preferência pelo seu próprio negócio se pudessem escolher trabalhar por conta própria ou serem empregados, sendo que no ano seguinte este valor foi superior: 71%.
No mesmo estudo verifica-se que embora 62% dos inquiridos portugueses nunca tenham pensado em começar um negócio e 24% tenham pensado em começar um negócio, apenas 14% tomaram essa iniciativa. Em comparação com a UE (15), Portugal situa-se abaixo da média europeia no que diz respeito ao número de inquiridos que iniciou realmente um negócio.
- Quais são as motivações que levam os portugueses a criar empresas?
Com base no Diagnóstico do Empreendedorismo de Base Tecnológica (OEBT – Observatório do Empreendedorismo de Base Tecnológica, 2003), as motivações que levam os portugueses a criar empresas são essencialmente: ter autonomia para o desenvolvimento do seu trabalho, querer realizar-se profissionalmente e ter a certeza de possuir uma boa ideia, um bom produto ou um bom serviço.
- Os portugueses são avessos ao risco?
Tendo por base o estudo “Eurobarómetro sobre Empreendedorismo” desenvolvido pela AGEP – Agência para o Empreendedorismo, conclui-se que Portugal está entre os quatro países da União Europeia com maior número de inquiridos a concordar que não se deve começar um negócio se existir o risco de falhar.
- Os estudantes universitários portugueses demonstram intenções empreendedoras?
Os estudantes universitários portugueses, sendo os futuros agentes de desenvolvimento da sociedade e do tecido empresarial português, não demonstram grandes intenções empreendedoras. O estudo desenvolvido pelo Observatório do Empreendedorismo de Base Tecnológica (2005) mostra que 40,8% dos alunos inquiridos não manifestam intenções empreendedoras, sendo que 7% revelam intenções empreendedoras e apenas 5,1% revelam fortes intenções empreendedoras.
- Como é a dinâmica empreendedora em Portugal?
A dinâmica empreendedora em Portugal é fraca, tal como se pode comprovar pelo GEM – Global Entrepreneurship Monitor (o GEM é um projecto internacional que tem como objectivo analisar a relação entre o nível de empreendedorismo e o nível de crescimento económico em vários países e, simultaneamente, determinar as condições que fomentam e entravam as dinâmicas empreendedoras em cada país). Assim, de acordo com o estudo referido, em 2001 Portugal ocupa o 21º lugar em termos de empreendededorismo entre os 29 países em análise, enquanto que em 2004 desce para 28º lugar entre os 34 países estudados. Ainda assim, se compararmos a prestação portuguesa entre os 16 parceiros europeus (Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Eslovénia, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Irlanda, Itália, Polónia, Portugal, Reino Unido e Suécia), constatamos que continua na cauda da lista, situando-se em 13º lugar, no ano de 2004.
- Que razão pode existir para justificar que Portugal esteja num nível tão baixo no que respeita ao empreendedorismo relativamente a outros países europeus?
A principal razão para que Portugal esteja num patamar tão baixo em relação aos outros países europeus e para ter decrescido os níveis de empreendedorismo de 2001 para 2004, prende-se com o facto do país atravessar uma crise económica, o que faz diminuir o apoio financeiro disponível.
Apesar da dinâmica empreendedora ser fraca em Portugal, o pouco empreendedorismo que existe é no sector orientado para o consumo (actividades nas áreas da restauração, alojamento, saúde, educação, lazer), em vez de se aplicar recursos no sector orientado para cliente organizacional (actividades em que o cliente primário é outro negócio, como por exemplo tecnologias e biotecnologias).
- Existe educação em empreendedorismo nos sistemas de ensino portugueses?
Actualmente em Portugal, a maioria dos cursos superiores de gestão e engenharias, bem como as pós-graduações, têm disciplinas de empreendedorismo. No entanto, o estímulo à inovação que se dá aos alunos do ensino básico e secundário é muito pouco ou nenhum, o que é um grande erro, pois a médio prazo sentir-se-ão as consequências na performance tecnológica e económica do país.
É crucial trabalhar ao nível da educação, quer no ensino básico, quer no ensino secundário, de modo a criar uma cultura em que as pessoas se predisponham a arriscar, a inovar e a iniciarem os seus próprios projectos.
- Qual a situação do empreendedorismo de base universitária no país?
Portugal tem uma falha no empreendedorismo de base universitária, uma vez que não existe uma relação estreita entre empresa e universidade. A universidade deveria dedicar-se à investigação para que depois a empresa desenvolvesse o produto. Para que tal lacuna seja corrigida, é preciso que o sector empresarial invista mais em I&D.
- Portugal investe em educação e formação em empreendedorismo?
Segundo o GEM 2001, Portugal aparece em último lugar na lista dos 26 países que investem em educação e formação em empreendedorismo.
- Quais as razões que explicam o baixo investimento português em educação e formação em empreendedorismo?
O GEM 2001 aponta como principais razões:
- Predominância de uma atitude avessa ao risco, transmitida entre gerações;
- Ausência de vocação ou experiência empreendedora dos professores;
- Sistema de ensino destituído de conteúdos e instrumentos adequados para o efeito;
- Quase inexistente ligação entre o mundo dos negócios e a escola.
- Quais as condicionantes do empreendedorismo em Portugal?
Os portugueses preferem trabalhar por conta própria mas na realidade são poucos os que avançam com essa ideia. Podem referir-se algumas razões enquanto obstáculos para a implementação de um negócio, tais como:
- Problemas de natureza burocrática
- Falta de apoio financeiro
- Ausência de metodologias pedagógicas que fomentam o empreendedorismo nos diversos graus de ensino
- Baixo nível de qualificação média da população portuguesa
- Baixa propensão para o risco
- Entraves de carácter cultural (por exemplo, a inexistência de uma pedagogia do fracasso, tão valorixada noutros países onde o erro é entendido como capitalização de experiências)
- Existência de lacunas em termos de capacidade de gestão por parte dos empresários portugueses.
- Quais os riscos mais temidos pelos portugueses quando se fala na criação do seu próprio negócio?
Os riscos mais temidos pelos portugueses no caso de iniciarem um negócio por conta própria são, por ordem decrescente:
- Receio de perder bens próprios
- Incerteza de sucesso
- Possibilidade de falhar a nível pessoal
- Segurança no emprego
- Possibilidade de ir à falência
- Despender demasiada energia
- O que corre mal no empreendedorismo em Portugal?
O que corre mal no empreendedorismo em portugal é a falta de orientação e a valiação dos projectos. Muito do empreendedorismo nacional falha porque os projectos denotam uma ausência de cultura de mercado, não levam em conta as necessidades dos clientes, são pouco inovadores e apresentam enormes encargos fixos. Para agravar a situação, verifica-se uma atitude social da condenação do insucesso, em que as falhas são proibidas, censuradas e apontadas como prova de incapacidade, ao invés de atribuir ao individuo a possibilidade de regenerar e corrigir os erros cometidos. As falhas não podem ser estigma, pois isso inibe a assumpção de riscos e desmotiva os potenciais empreendedores.
- Mas o empreendedorismo em Portugal só tem aspectos negativos?
Empreender em Portugal não tem só entraves. Segundo o GEM, enquanto que algumas condições estruturais do empreendedorismo pioraram no período 2001-2004 (principalmente o apoio financeiro e as normas sociais e culturais), outras, pelo contrário, sofreram uma melhoria substancial, como foi o caso, por exemplo, das políticas e programas governamentais e das infra-estruturas comerciais, profissionais e físicas.
- Quais os agentes que promovem uma cultura empreendedora em Portugal?
São vários os agentes que directa ou indirectamente actuam no apoio ao empreendedorismo ou criação de empresas em Portugal. Uns públicos, outros privados, mas todos com a importância de contribuírem em complementaridade para uma rede de soluções e serviços que de forma articulada abram portas a novas iniciativas de negócio. Existe um conjunto de estruturas que oferecem serviços em múltiplas vertentes de suporte ao início da actividade empresarial: administrativa, financeira, informativa, de aconselhamento técnico e apoio logístico, entre outras.
Neste sentido, existem:
- Centros de Incubação de Negócios – são infra-estruturas destinadas a acolher projectos empresariais em fase inicial, através da disponibilização de espaços de incubação e da prestação de apoio técnico qualificado para o arranque do negócio.
Destes centros de incubação fazem parte:
- BIC – Business Innovation Centres (integrados na rede europeia EBN – European Business and Innovation Centre Network da Comissão Europeia
- Centros de Incubação
- Centros Empresariais ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários
- Ninhos de Empresas (iniciativa do Instituto Português da Juventude, destinada a empreendedores jovens)
- CACE – Centros de Apoio à Criação de Empresas (iniciativa da responsabilidade do IEFP)
- Centros de inovação e transferência de tecnologia – funcionam como interface dos centros de saber à empresa, apoiando a inovação e o desenvolvimento tecnológico aplicado ao mundo dos negócios.
Estes centros englobam:
- Centros Tecnológicos
- Parques Tecnológicos
- Centros de Formalidades das Empresas – são estruturas de facilitação e simplificação administrativa que permitem a realização dos procedimentos legais de constituição de sociedades num único local, com atendimento personalizado e prazos reduzidos.
- Agentes Financeiros – ajudam na promoção de uma cultura empreendedora, visto serem estruturas que permitem alavancar financeiramente os projectos empresariais, tanto nas fases de arranque como de consolidação dos negócios, através de soluções variadas de crédito ou de reforço de capitais próprios (capital de risco).
Os Agentes Financeiros dizem respeito a:
- Banca
- Sociedades de Capital de Risco
- Sociedades de Garantia Mútua
- Que atitude pode tomar o Estado português de modo a estimular o empreendedorismo no país?
O Estado português pode tomar uma nova atitude perante o empreendedorismo, lançando iniciativas e medidas apropriadas, nomeadamente:
- Proceder a reformas estruturais, de modo a favorecerem o empreendedorismo
- Criar um ambiente amigo do espírito empresarial
- Criar um sistema fiscal competitivo e eficiente
- Dinamizar o sistema nacional de inovação
- Conceber um licenciamento célere
- Definir uma legislação laboral favorável ao empreendedorismo
- Adequar a educação ao mercado de trabalho e às necessidades das empresas
- Fomentar o empreendedorismo para fazer face aos desafios da União Europeia (nomeadamente os definidos na Estratégia de Lisboa) e da economia global
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