Apoiar o EmpreendedorismoO Empreendorismo está na moda, é bem certo. Mas falamos de quê, concretamente? O termo deriva do francês do século XVII entreprendre, significando aqueles que corriam riscos, os que desafiavam a Deusa Sorte, aplicando-se de igual modo a aventureiros, mercenários ou mercadores. Mais próximo dos nossos dias, assistimos ao renascimento do interesse por esta temática e ao surgimento de novos autores com destaque para o guru da gestão, Peter Drucker, e Robert Ronstadt. Assim, para Drucker, os recursos são combinados para produzir resultados, devendo ser adstritos a oportunidades e não a problemas. Na sua opinião e contrariamente á ideia popular, o empreendedor não corre riscos desnecessários, mas sim riscos calculados. Por seu lado, para Ronstadt, o empreendorismo é um processo dinâmico de criação incremental de riqueza por indivíduos. O termo empreendedor pode assim ser aplicado aos intrépidos que incubam novas ideias, lançam empresas com base nas mesmas e acrescentam valor á sociedade com base na sua iniciativa individual. Os empreendedores de sucesso estão normalmente muito próximos do problema ou da oportunidade em termos de competências, conhecimento ou recursos e a vasta maioria não sonha com ideias radicais. Iniciam a sua actividade numa dada área porque já possuíam algum conhecimento do mercado, do processo de produção ou das oportunidades existentes. O actual despertar do interesse pelo processo de criação de um novo negócio, juntamente com a globalização e a aceleração da inovação tecnológica também tem tido reflexos na definição do que é ser-se empreendedor, surgindo novos conceitos, adaptados á nossa realidade. É assim que hoje nos cruzamos por exemplo com o:
Acima de tudo, os empreendedores têm visão e reconhecem oportunidades onde outros nada vêm. O Empreendorismo é assim o resultado da inspiração estratégica para tirar proveito das mudanças que ocorrem no ambiente. É portanto um saber aproveitar das oportunidades... Obstáculos e causas de insucesso: Mas infelizmente o caminho para o sucesso está pejado de obstáculos que é necessário saber transpor. O primeiro problema pode surgir logo com a falta de objectividade da ideia, isto é, a ideia é imprecisa e o conceito de negócio mal definido ou inexistente. Outro problema grave pode surgir com o próprio empreendedor, quando este não se encontra totalmente empenhado, revela inexperiência do sector e falta de conhecimento das necessidades do consumidor e das regras do mercado ou reúne uma equipa deficiente ou com falta de coesão. Outra das principais causas do insucesso é a falta de recursos suficientes. Com efeito, os empreendedores, sobretudo os jovens, têm uma falta crónica de meios de toda a espécie, sobretudo de capital. A falta de capitais próprios é frequentemente agravada pelas dificuldades criadas no acesso ao crédito ou nas demoras dos subsídios a receber. Assim, fruto de atrasos inesperados ou de erros nas estimativas dos capitais necessários para o arranque da empresa, estas padecem de problemas de tesouraria, gerando um ponto de estrangulamento. A não existência de barreiras à entrada é também uma importante causa de insucesso. Não tendo o empreendedor a possibilidade de proteger o seu produto da concorrência, recorrendo a uma patente ou a um trade secret, ou se não existirem outras barreiras de natureza económica ou jurídica, é previsível que novos concorrentes entrarão no mercado, especialmente tendo este potencial de lucro e crescimento. Por vezes também sucede o produto não ter nada de novo, não havendo nenhum elemento de diferenciação. Deste modo, o consumidor permanece indiferente á compra no empreendedor ou na concorrência. Esta é uma situação muito perigosa, e mais frequente do que geralmente se imagina, devendo o futuro empreendedor evitá-la a todo o custo. Uma outra causa de insucesso é a não preparação de um plano de negócio. O empreendedor muitas vezes tem uma ideia e lança-se imediatamente na sua implementação, deixando de reflectir em alguns pontos importantes ou mesmo ignorando totalmente outros. Ao não usar uma metodologia de orientação e um plano formal, o empreendedor passa a ter uma perspectiva enviesada e uma falsa sensação de segurança. O seu discurso é dominado pelo “eu é que sei”, mais tarde reflectido nas dificuldades em que o negócio irá passar. Nos dias de hoje, com a informação e os meios disponíveis, a não preparação do plano de negócio traduz uma inadequada postura do indivíduo no mundo do business e uma incapacidade de gestão. Muitas outras dificuldades irá o empreendedor encontrar, não sendo possível enumerá-las aqui todas. Por outro lado, os verdadeiros perigos advêm daquilo que desconhecemos e não propriamente do que sabemos e num mundo em transformação, dominado pelo caos, as incertezas serão sempre muitas. A via incubadora: Ora é precisamente neste caos que as incubadoras são importantes para o empreendedor da "velha" ou da "nova" economia, ao contribuírem para evitar a morte prematura de projectos válidos, e consequentemente ajudando na dinamização e diversificação do tecido empresarial e no desenvolvimento económico do País. Com efeito, as firmas incubadas registam uma considerável taxa de crescimento e uma baixa taxa de mortalidade. Para este efeito, o papel da incubadora revela-se fundamental ao contribuir decisivamente para o alcance de vantagens competitivas fornecendo instalações e equipamentos, consultoria, formação, marketing, acesso a venture capital e business angels e a networks formais e informais. E de facto, a taxa de insucesso de firmas incubadas é inferior à de empresas não incubadas, apresentando as primeiras melhores performances nas vendas e na geração de emprego. A acrescentar a estas constatações, verifica-se que as firmas graduadas (empresas que deixam a incubadora após um período, normalmente de três anos, ou ao atingirem determinado volume de vendas) apresentam uma taxa de sobrevivência superior aos 80% A incubação de empresas oferece programas ou serviços que aceleram o crescimento das empresas incubadas, vulgo clientes, aumentando as probabilidades de sobrevivência e de sucesso. Estes serviços originam reais mais valias para o empreendedor. No entanto é necessário considerar que por vezes alguns empreendedores têm uma imagem negativa da incubação, encarando as incubadoras como uma espécie de hospital (ou cemitério) de empresas, um local pouco prestigiante e que deve aparecer nos cartões da firma só com a morada, sem ser sequer mencionado, parece óbvio que a desmistificação desta ideia é essencial. A incubadora deve oferecer um conjunto de serviços, trabalhando em estreita ligação com o empreendedor na análise das suas necessidades, na preparação e revisão do business plan e na preparação de um pacote de acções de apoio à medida por forma a auxiliar a empresa a sobreviver, crescer e prosperar. Cada empresa deve ser considerada como um caso único. Um empresário com anos de experiência no sector industrial não tem as mesmas necessidades que um académico que cria pela primeira vez uma empresa para tentar comercializar uma nova tecnologia. Com a crescente complexidade da actividade empresarial, aumentou também a qualidade de serviços prestados por incubadoras e a própria intervenção destas junto dos clientes. E os gestores de incubadoras têm procurado assumir um papel de maior dinamismo e criatividade, tentando dirigir os seus serviços para públicos-alvo concretos, acompanhando o risco, as incertezas e a turbulência dos mercados. E é por existirem diferentes empresas com diferentes necessidades que também existem diferentes categorias de incubadoras, fornecendo serviços distintos. Podemos catalogá-las em mistas, tecnológicas e de microempresas. As primeiras compreendem a incubadoras que servem um universo diversificado de sectores, são portanto generalistas. As tecnológicas e de microempresas são mais especializadas, acrescentando a serviços gerais outros que vão de acordo a necessidades específicas dos clientes. Por conseguinte, alguns serviços, pelas suas características, poderão ser aplicados independentemente do sector de actividade. É o caso da preparação do business plan. Outros como a gestão estratégica da propriedade intelectual, são mais direccionados para empreendedores high-tech. O mix de serviços deverá ser suficientemente amplo para cativar todos os clientes da incubadora e ainda flexível o suficiente para ser adaptado a necessidades particulares. De entre os vários serviços prestados, destaca-se pela sua importância, o plano de negócio. O apoio da incubadora principia muitas vezes ainda antes da própria admissão do cliente, no decurso do processo inicial da entrevista. Ao colocar questões concretas ao empreendedor, este é forçado a organizar o seu conceito de negócio, a estruturar a sua ideia e até a projectar alguns números. O ciclo de vida de um negócio começa e por vezes termina, com este simples serviço. Uma vez admitida, o apoio na elaboração do business plan pode passar por exemplo pela previsão do cash-flow, o marketing, a produção e distribuição, a definição dos equipamentos e dos recursos humanos ou a escolha da estratégia. E embora seja verdade que algumas incubadoras solicitam a apresentação de um plano de negócio no momento de candidatura, muitas também se dispõem a auxiliar os potenciais clientes e empreendedores a elaborá-los e mesmo a refiná-los. Os serviços de consultoria são outro instrumento de apoio fundamental, podendo assumir a forma de consultoria com o recurso a quadros internos da incubadora apoiando os clientes em múltiplas áreas, como o marketing, a gestão financeira, a estratégia, a internacionalização e o comércio electrónico ou em situações particulares, havendo necessidade de outro conhecimento especializado, recorrendo a consultores externos. Deste modo os clientes recebem uma valiosa ajuda numa fase crítica do desenvolvimento das suas empresas, a um custo ou reduzido ou zero. De salientar ainda pela repercussão que terá sobre o negócio, o eventual apoio da incubadora no recrutamento e selecção de pessoal para o cliente, isto é, no papel activo que a incubadora pode desempenhar na formação da futura equipa que será responsável pela condução da empresa ao sucesso. Também a formação, sob a forma de seminários ou de cursos de curta duração, constitui um serviço gerador de mais valia. Sessões com programas interessantes, convenientemente calendarizadas e bem promovidas devem convencer o mais renitente dos empreendedores. Um bom exemplo é o seminário da incubadora SPEDD Wexford I, na Pennsylvania, intitulado "18 Padrões de Empresas de Sucesso e 9 Padrões de Empresas Falhadas". Com este título quem não aparece? Outro apoio é a partilha de serviços administrativos. Estes podem incluir os serviços de uma secretária, recepcionista, comunicações, segurança, acesso a computadores, sala de reuniões, biblioteca, bases de dados ou fotocopiadoras. E estes serviços podem gerar receitas para a própria incubadora, provenientes de entidades que não as empresas incubadas. É o caso do Business Incubator Center, em New York, que tendo identificado um crescente número de novos negócios baseados em casa, oferece os seus serviços e equipamentos, numa base diária, a empresas não incubadas. Veja-se a importância que tem para a imagem de um empreendedor com um pequeno negócio que funciona em casa, a possibilidade de marcar um encontro com um cliente numa sala de reuniões com acesso a sofisticados equipamentos de comunicação e com os serviços de uma recepcionista! Um serviço que deriva da própria natureza da incubação, e que frequentemente é pouco explorado, é a networking entre os clientes. É que a existência de um espaço físico induz ao relacionamento entre indivíduos. E até num mundo de sofisticada tecnologia, as pessoas cruzam-se nos corredores, utilizam a mesma máquina de café, enfrentam os mesmos desafios e problemas derivados da actividade empresarial, sofrem e sonham juntas. Estão lançadas as sementes da cooperação. E se a incubadora favorecer o clustering, tanto melhor. A networking pode revestir múltiplas formas como por exemplo, a partilha de equipamentos e contactos, a investigação e produção conjunta, o aconselhamento ou a venda de produtos ou serviços. Na incubadora Fulton-Carroll, em Chicago, metade das receitas de algumas firmas são provenientes de vendas a outras empresas incubadas! Também a própria comercialização de tecnologia, serviço primordial em incubadoras tecnológicas, constitui um benefício para a empresa incubada. Este tipo de serviço teve o seu início nos Estados Unidos em incubadoras tecnológicas ligadas a universidades, laboratórios federais ou à NASA. Algumas incubadoras utilizam estudantes de pós graduações para desenvolverem planos de comercialização para os seus clientes, de forma a acelerar o licenciamento da tecnologia e o seu marketing. É o caso da University of Texas at Austin e da ATI. Dentro desta linha de apoio, de referir também os serviços ao nível da análise da inovação. O caminho desde o desenvolvimento do novo produto à obtenção da patente e à produção é longo e de elevado custo. A análise da inovação implica avaliar a viabilidade da invenção tanto de um ponto de vista técnico como de mercado. O cliente obtém um serviço essencial, determinando se deverá ou não prosseguir com o processo de desenvolvimento e comercialização do seu produto, adquirindo maiores certezas e poupando recursos muitas vezes escassos. As incubadoras prestam também um serviço de promoção dos seus clientes junto da comunidade. Assim, as empresas tornam-se mais conhecidas e a incubadora apresenta os seus casos de sucesso, o seu maior trunfo na captação de novos clientes e na projecção da sua própria imagem. Estas campanhas de relações públicas são levadas a cabo através de dias abertos a visitas de membros da comunidade empresarial à incubadora e às empresas incubadas, campanhas nos media, participação em eventos, publicação de materiais alusivos à incubadora ou através de networks internacionais. A promoção da imagem dos clientes favorece o acesso a venture capital e a business angels e a incubadora pode criar condições para apresentar os seus clientes mais promissores a financiadores individuais, venture capitalists ou parceiros estratégicos. Algumas incubadoras promovem eventos onde os seus clientes são apresentados a potenciais investidores, outras constróem bases de dados com perfis de investidores e de clientes, outras ainda vão mais além participando directamente no capital das empresas incubadas. Outro serviço de grande valia é o apoio no acesso à informação. Para o empreendedor a informação é vital. A incubadora pode possuir um serviço de technology watch, fornecendo informação relevante à tomada de decisão ou numa forma mais simples, possuir uma biblioteca, bases de dados, salas de informática, ligação à Internet e a serviços on-line ou um portal. E os serviços e as suas vantagens não se esgotam aqui. Com efeito, estes e outros serviços, permitem á incubadora cumprir a essência da sua missão, o sucesso das empresas clientes. Naturalmente que a eficácia dos serviços de apoio deve ser periodicamente monitorada e avaliada, ajustando-se constantemente ás transformações ambientais e a novas necessidades dos clientes. Também sabemos que podemos oferecer ao cliente os melhores programas de apoio que se possam imaginar mas a verdade é que não o podemos obrigar a tirar partido dessas oportunidades. Mas para aqueles que aceitarem o desafio, o acesso a um conjunto de ferramentas de apoio permitirá, não tenhamos dúvidas, superar com maior facilidade os inúmeros obstáculos no longo e tortuoso caminho conducente ao objectivo primordial da criação de uma empresa, o sucesso. |
